7.6 A
internacionalização do franchising em Portugal
Diversas redes portuguesas de franchising
dos mais diversos sectores estão a chegar a um ponto de saturação no mercado nacional e
preparam-se agora para "atacar" o mercado espanhol.
O luso-franchising está a viver um
período de grande "boom". Multiplicam-se os casos em que uma boa ideia se
transforma num rápido sucesso comercial. As empresas que ganharam dimensão já estão na
fase de querer avançar para o estrangeiro. Várias cadeias portuguesas começam a traçar
sérios planos para "dar o salto" além-fronteiras: o franchising
permitiu-lhes multiplicar rapidamente a estrutura, e sentem que o país é bastante menor
que as suas ambições de expansão.
Espanha como alvo
Espanha aparece como a primeira alternativa
de internacionalização. Já este ano, a Lanidor vai "invadir" o país vizinho
com uma dezena de lojas. Com um volume de negócios de 1,5 milhões de contos em 1997
ousou tentar a expansão para Espanha. Abriu uma loja-piloto em Barcelona e está
actualmente em negociações com uma empresa espanhola para aí lançar o franchising.
A Delta também tem estado a estudar hábitos de nuestros hermanos (que dão sinais
de começar a gostar de café puro e a largar a tradição do torrefacto) para definir os
moldes em que irá avançar, em 1999, com a abertura de uma nova série de boutiques de
café.
No caso da Boxer Short, a
internacionalização é já um facto. Apesar da marca só ter dois anos, conta com duas
lojas em Londres, uma em Bruxelas e cinco em diversas cidades espanholas.
A perspectiva peninsular, também está na
mira da Planet, actualmente com cinco lojas, e que vai aderir ao franchising para
chegar às quatro dezenas.
A cautela é um sentimento comum aos
empresários que equacionam uma expansão no exterior. A Pano Branco, especializada em
têxteis para o lar, vai abrir uma loja em Maputo, mas esta experiência é encarada um
pouco como uma aventura. Para já a prioridade é "consolidar a marca no mercado
interno", e só em 1999 se começarão a analisar os pedidos de abertura de lojas em
Espanha.
A Ursitos, rede de decoração de quartos
é apontada como caso de sucesso dentro das marcas nacionais. Em apenas dois anos,
surgiram 13 lojas que impuseram um nome e uma imagem própria.
Contrariamente à maioria
das redes portuguesas, Espanha não é a alternativa mais óbvia de internacionalização.
Esta marca optou pela expansão no Brasil, tendo aberto lojas no Rio de Janeiro e em S.
Paulo e têm como meta estender o projecto Ursitos a todo o Brasil. |
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7.6.1 Um caso
de sucesso
Foi numa pequena loja na Foz do Douro que a
Boxer Shorts nasceu, em 1991, apostando numa linha de produtos moderna e sedutora.
Actualmente, a empresa possui um capital
social de 500 mil contos, 20 lojas em Portugal e está a apostar claramente na
internacionalização em países europeus.
O conceito da Boxers Shorts foi
desenvolvido pelos três sócios fundadores, dos quais apenas um se mantém na empresa. Os
boxers foram, desde o início, os produtos estrela que foram sendo complementados com uma
linha de camisas e gravatas.
Após o arranque, os responsáveis
aperceberam-se que a Boxer Short era um verdadeiro sucesso. A aceitação do público foi
enorme e, até 1996 foram abertas várias lojas, cobrindo dessa forma praticamente todo o
território nacional.
A partir dessa altura, a empresas viu-se
confrontada com duas hipóteses:
Manter aquilo que possuía
Apostar na expansão
Uma vez mais a capacidade empreendedora dos
responsáveis revelou-se decisiva:
Arriscaram
Cresceram
Tudo mudou: franquearam a marca e ficaram
apenas com duas lojas em Portugal, deixando as outras nas mãos dos franqueados.
Mesmo assim a Boxer resolveu ser mais ousada:
"Como o mercado português é pequeno
e já estava praticamente coberto, resolvemos apostar na internacionalização"
"Bruno Carvalho Director de
franchising"
Não foi uma decisão fácil, uma vez que
os riscos eram grandes. A empresa necessitou de aumentar o capital social para 500 mil
contos e recorreu a consultores internacionais nas áreas do marketing e do retailing.
Além disso os responsáveis pela marca resolveram criar um novo nome para as lojas no
exterior: Throttlman. Actualmente, é essa a designação a nível internacional.
A verdade é que ninguém duvida da
qualidade da marca: a Boxer Shorts possui já seis lojas franqueadas em Espanha e duas
próprias. Em Inglaterra conta com dois espaços abertos ao público e espera, até ao
final de 1998, arrancar com o franchising. Em Bruxelas, o caminho a seguir é
exactamente o mesmo e a Boxer, ou Throttlman, já se posicionou no mercado com uma loja
própria.
Tal como as marcas que se instalam no nosso
país, é por vezes necessário adaptar os conceitos. A Boxer Shorts sabe hoje que os
espanhóis gostam de lojas de rua e que os ingleses não gostam de ser incomodados,
preferindo um atendimento personalizado.
Em relação aos franqueados, a empresa
oferece uma solução de negócio e não uma marca ou produto. Assim, encarregam-se da
imagem, publicidade, marketing, sistemas informáticos e formação pessoal. No
fundo, as lojas são o cartão de visita e é indispensável que funcionem bem.
Os artigos da Boxer, que se destacam pelo
colorido e originalidade, são todos produzidos em Portugal, exceptuando as gravatas que
são italianas. Toda a produção é subcontratada. A escolha recai sobre as empresas
portuguesas, porque o valor da nossa empresa têxtil é reconhecido. As empresas nacionais
produzem artigos de qualidade e preços competitivos.
Depois de ter
arriscado, a Boxer Short caminha, a passos largos para a expansão a nível europeu e
mundial. Entretanto a marca portuguesa continua a orgulhar-se da enorme colecção de
boxers que possui: 350 modelos por ano. Pode utilizar, literalmente, uns boxers por dia.
Isto é o que se chama quebrar a rotina... |

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