5. Expandir o negócio através do
franchising
A decisão de uma empresa se desenvolver
desta forma é uma opção realmente importante para o seu futuro. Razões essas que
passam entre outras, pela distribuição tradicional se mostrar obsoleta e envelhecida,
pois não existe nada mais atraente para um empresário do que conseguir que o seu
trabalho seja reconhecido, nomeadamente por outros empresários. Além disso o franchising
é uma fórmula ao serviço de todos os sectores económicos, pois quando a este
"penetra" num sector de actividade, quase sempre o conquista, servindo os
interesses dos fabricantes, prestadores de serviços e consumidores.
O mais espantoso desta técnica comercial
é a sua extrema flexibilidade na adaptação aos diferentes constrangimentos que lhe são
impostos.
É importante referir que o franchising
poderá ser uma resposta a todas as necessidades que vão desde a fabricação,
distribuição e até aos serviços.
A criação e desenvolvimento de um
negócio em franchising tem como pressuposto básico a verificação de que as
condições do mercado sejam favoráveis, isto é, que a actividade que o franqueador se
propõe explorar se situe num mercado seguro, durável e pouco vulnerável.
A segurança de uma rede de franchising
passa pela realização de estudos prévios de mercado. Este deve ser bastante importante
para que o desenvolvimento de uma rede se justifique . O arranque de uma cadeia alargada
de franchising pode saturar prematuramente o mercado, e por isso, será prudente
avaliar bem o potencial antes de se lançar na difusão da fórmula. O mercado deve
apresentar-se com características de durabilidade evitando os riscos de certas
actividades de crescimento rápido, mas de vida curta, como os negócios de prendas e
moda.
O franqueador opta pelo franchising,
para, em primeiro lugar, repetir o êxito da sua fórmula, através do recurso aos
franqueados. A diversificação do produto e a diversificação geográfica são outros
factores a considerar. O contacto com um novo mercado ou um novo segmento de clientela,
dos quais se conhecem mal as técnicas ou comportamentos, pode ser facilitado pela
cooperação prestada pelos franqueados. Também a associação a um master-franchising
para atacar e penetrar um mercado estrangeiro assegura a representação e controlo do
comportamento e gestão dos subfranqueados junto do franqueador. No entanto, são os
motivos financeiros, os determinantes para a difusão do franchising.
O investimento individual de cada
franqueado na criação de um posto de venda, substitui aquele que o franqueador teria de
fazer para ampliar o seu negócio, com a vantagem de poderem surgir outras fontes de
rendimento com as entradas de franqueados, nomeadamente os royalties.
O potencial de difusão acelerada de um
determinado produto ou serviço que o franchising pode assegurar é outra razão
para a opção feita pelo franqueador. A apresentação de um produto inovador tem maiores
garantias de penetração e permanência no mercado, se a sua velocidade de expansão for
superior à dos eventuais concorrentes. Para a obtenção destes resultados não é raro
os franqueadores optarem por estratégias de marketing bem concebidas, por vezes
agressivas.
Em resumo:
As causas que obrigam tradicionalmente as
empresas a optarem pelo franchising são:
A necessidade de um rápido
desenvolvimento;
A impossibilidade de investir em fundos
próprios os capitais bastantes, de forma a crescer a nível nacional;
A necessidade de eliminar a ineficácia das
redes de distribuição tradicionais já instauradas;
A necessidade de criar uma assistência
técnica indispensável, mas que parece aberrante fornecer a distribuidores independentes,
devido aos custos e à falta de cooperação;
A necessidade que o franqueador tem de
fornecer aos consumidores uma prestação empenhada que valorize toda a sua gama,
respeitando a sua originalidade criativa;
A necessidade de lutar contra a política,
levada a efeito pelas centrais de compras, dando-lhes como única perspectiva o abandono
mais ou menos rápido a favor de um outro fornecedor.
5.1 As fases de
lançamento de um franchising
Para que o processo de expansão do
negócio através do franchising seja bem sucedido é necessário que a empresa
percorra um caminho, com vista à preparação, para que, uma vez chegada a hora de
iniciar a comercialização, tudo corra bem.
5.1.1 Fase I: O conceito
A primeira preocupação é definir o
conceito do negócio de forma objectiva e prática. Enquanto empresários dizemos que
O segredo é alma do negócio.
Agora chegou o tempo de o revelar. Antes
todas as ideias estavam na nossa cabeça e eram usadas consoante as circunstâncias e
necessidades. Agora temos de aprender a distinguir e destacar o conceito, dando-lhe corpo
e vida própria. Aquilo que não conseguirmos reduzir a escrito não tem substância ao
nível do conhecimento, não constituindo, por isso, know-how e não sendo possível
transmitir.
É este o primeiro exercício do
empresário. Levantar questões do tipo:
Quem é o nosso consumidor?
Qual é o nosso produto ou serviço?
Qual é a nossa concorrência?
Onde está e estará o nosso mercado?
Como comunicamos com o exterior?
Que know-how próprio nos distingue?
Ao longo deste itinerário o negócio vai
ficando delineado. No fim desta fase, tem de ficar claro o conceito de negócio de modo a
ser perceptível por terceiros.
Consideramos que o conceito está definido
quando conseguimos estruturar a "fórmula mágica".
5.1.2 Fase II:
A rede
Uma vez definido o conceito de negócio, é
necessário saber a que potência ele pode ser elevado em termos da sua reprodução
física no mercado em análise, isto é, o factor de multiplicação da rede.
Se tivermos por exemplo, como objectivo de
expansão o mercado nacional, temos de calcular quantas unidades franqueadas esse
território comporta. O mal de muitos franqueadores é desconhecer quantos franqueados
vão ter.
Ora, este verdadeiro salto no vazio irá
trazer um problema grave, que é o da avaliação da área de influência vital do ponto
de venda, com vista a poder concessionar contratualmente em coerência o "território
exclusivo".
Se o "território exclusivo"
concessionado for excessivo, a dimensão da rede e o consumidor final saem prejudicados,
sem nenhum benefício para o franqueado da zona. Se for deficitário relativamente às
necessidades demográficas do negócio, inviabiliza-se o franqueado.
A justa e equilibrada definição da área
de concessão a licenciar constitui, pois uma das chaves de uma estratégia de sucesso na
planificação da rede.
Primeiro deverá começar-se por uma
análise macro-económica, que consiste na avaliação do mercado potencial, identificando
e quantificando o mercado consumidor e o mercado alvo de desenvolvimento da empresa.
Depois proceder-se-à à definição da área de influência vital da unidade
franchisada-tipo, para definir em que condições e em que locais se justifica e compensa
economicamente a abertura de um novo ponto de venda.
O cruzamento desta informação permite-nos
estimar a dimensão teórica da rede e o número de unidades a franquear, bem como a sua
distribuição geográfica. Sabendo qual a dimensão da rede versus unidades
franqueadas pode ser planificada a estratégia de desenvolvimento sobre o terreno, isto
é, a comercialização do franchising.
5.1.3 Fase III
: A viabilidade
Ter um conceito "perfeito" do
ponto de vista do mercado é condição necessária para o êxito do negócio, mas não
condição suficiente. É imprescindível que ele seja viável também do ponto de vista
económico-financeiro. Por outro lado, não basta que o negócio propriamente dito seja
viável, é preciso também que o sistema de rede o seja. Há que analisar duas realidades
distintas: a do negócio e a da rede.
Para a análise de viabilidade do negócio
bastará controlar a sua demonstração de resultados e verificar se apresenta uma taxa
líquida de rentabilidade de resultados (depois de amortizações) sobre as vendas não
inferior a 10%. Caso o ratio apurado seja inferior dificilmente o investimento será
competitivo. A segunda vertente diz respeito à rede.
Os custos que irá ter com o projecto de franchising
são fundamentalmente cinco:
A formatação do negócio
A unidade-piloto
A comercialização do franchising
A instalação dos franqueados
A gestão e animação da rede
Os proveitos do sistema são dois:
Direito de entrada
Royalties
Depois há que orçamentar as vendas à
rede de franqueados. No que se refere ao fornecimento dos produtos ou serviços há que
multiplicar as compras da sua unidade piloto pelo número de unidades franqueadas.
5.1.4 Fase IV
: A unidade piloto
Uma vez definido, no plano teórico, o
conceito de negócio, deverá proceder-se, no plano operacional, à instalação e
implementação da unidade-piloto com o objectivo de confirmar a viabilidade do negócio.
Tratar-se-á de um teste real sobre o
terreno.
A fase da unidade-piloto é o exame do
franqueador na habilitação de poder franquear o negócio com toda a propriedade e em
toda a consciência.
Caso venham a ser definidos mais do que um
tipo ou formato de ponto de venda, a primeira decisão a tomar será a escolha do conceito
que vai ser testado pela unidade-piloto. No caso de haver dois formatos diferentes, pode
decidir-se sobre o teste de ambos, abrindo duas unidades-piloto.
A segunda decisão prende-se com a escolha
da área de concessão/território exclusivo para a implantação da unidade-piloto.
Depois de seleccionado e contratado o espaço destinado à unidade-piloto, haverá que:
Adaptar o projecto protótipo de
arquitectura, decoração e equipamento à realidade física da unidade;
Assistir tecnicamente o empreiteiro e
controlar a execução da obra;
Proceder à organização básica
multifuncional do ponto de venda;
Acompanhar as fases de abertura e
lançamento do ponto de venda.
5.1.5 Fase V :
Os manuais
De um modo geral os serviços a prestar aos
franqueados serão tanto menores quanto mais completo for o package-deal.
Se os manuais de operações (que
constituem o package-deal) cobrirem, tanto quanto possível, todas as necessidades
do franqueado, antecipando as soluções dos problemas, o franqueado não terá tanta
necessidade da prestação de serviços.
De facto, os manuais de operações
deverão ter o pormenorizado e necessário desenvolvimento, que possibilite a transmissão
fiel da informação tão completa quanto possível ao seu utilizador, descritos de forma
impessoal, isto é, que possa esclarecer terceiros em relação à empresa e não servir
apenas o seu autor.
O âmbito da package-deal reduz a
generalidade dos serviços a prestar: prévios, iniciais e continuados. Do mesmo modo que
explica o negócio na fase de instalação e lançamento, também instrui, através da
definição de normas de procedimento e da organização de indicadores e instrumentos, a
gestão da operação na fase de desenvolvimento.
Os manuais de operações deverão
organizar-se segundo duas ópticas distintas, se bem que entrosadas:
Manual de operações do franqueador/rede
Manual de operações do franqueado/ponto
de venda
O primeiro está vocacionado para a
organização do processo de gestão, direcção e exploração do franqueador na
perspectiva da rede, cobrindo a realidade desta vertente, enquanto o segundo se configura
especificamente ao ponto de venda.
Uma segunda questão que se coloca
refere-se ao âmbito dos manuais, isto é, que áreas abrangem, onde começam e onde
acabam.
Uma vez definido o âmbito da
intervenção, importa precisar o nível de profundidade com que se vão manualizar as
operações, isto é, o grau de pormenorização desejável e aconselhável.
Esta decisão deverá tomar em
consideração questões como sejam o modelo de gestão da empresa, a sua cultura
organizacional, especificidades próprias da actividade e do negócio.
Os manuais de operações deverão ser
concebidos com o propósito de serem o mais definitivos possível. No entanto, sabendo que
a empresa não é um organismo estático, deverão ser estruturados de modo a permitir
actualizações.
Regra geral o Manual deverá conter:
Nota explicativa da actividade a
desenvolver;
Descrição detalhada das diversas fases de
montagem de um estabelecimento;
Caracterização dos equipamentos
necessários e métodos de gestão do franchising;
Inventário das instruções de
financiamento com indicações relativas aos horários de abertura e encerramento;
contratação, características, apresentação e funções do pessoal; normas de
relacionamento com a clientela; políticas de preços; normas de qualidade e aspectos de
normalização; pagamentos das retribuições e royalties; contabilidade; técnicas
e condições de publicidade e marketing; à utilização e protecção dos
direitos de propriedade industrial e comercial ; à constituição de seguros;
O âmbito dos serviços iniciais e da
assistência continuada dos serviços do franqueador;
A definição de stocks mínimos e das
condições de aprendizagem;
A prescrição de certo tipo de
formulários relativos a contratos de trabalho, nomeadamente no que respeita à
salvaguarda de segredos comerciais; à organização da contabilidade e documentação
corrente, tal como facturas, notas de encomenda;
As regras a respeitar em matéria de
condições de pagamento de retribuições regulares, royalties, e de fornecimento
de bens e serviços;
Suplemento técnico detalhado relativo à
utilização de equipamentos, se estes o exigirem;
Um organigrama dos serviços do franqueador
destinado a facilitar os contactos do franqueado e a assistência;
conteúdo do manual poderá variar em
função do sector de actividade a que se refere.
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