2. O Franchising por sectores
De um modo geral, os sectores que mais se
têm desenvolvido no franchising são aqueles já envolvidos num sistema de
distribuição,
Pronto-a-vestir
Produtos para a casa
Comércio especializado
Alimentação e hotelaria
Por outro lado, o sector dos serviços
apresenta um desenvolvimento cada vez mais acentuado, como é o caso:
Serviços para particulares
Serviços para empresas e mistos
Pretende este capítulo fazer uma breve
passagem pelos sectores que mais se destacaram.
2.1 Pronto a
vestir
Juntamente com o fast-food é dos
sectores mais competitivos do mercado.
Em Portugal o franchising começou
praticamente pelo sector têxtil, que foi o único negócio a funcionar neste formato
durante longos anos. Por essa razão as relações com os diferentes masters ou
sedes das marcas variam. Qualquer contrato nesta área deve ser analisado com cuidado, uma
vez que são muitas as histórias de canibalismo, em que os franqueados viram violados os
seus direitos territoriais.
As lojas batem-se pelas melhores
localizações e enfrentam a concorrência feroz dos grupos espanhóis.
Os sistemas informáticos tornam o controlo
das vendas extremamente severo e as royalties são cobradas impiedosamente.
Timidamente começam a surgir marcas portuguesas com a audácia de se lançar na
internacionalização através do sistema de franchising.

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É o caso da Cenoura. O
grupo criado por duas irmãs, foi retomado várias vezes e pertence neste momento a uma
empresa nortenha, que está a tentar redefinir um conceito franchisável. |
A Cenoura, uma das primeiras marcas a
descobrir o franchising conseguiu ser um dos maiores sucessos nacionais, mas foi
das primeiras a cair quando surgiram marcas estrangeiras no pronto-a-vestir infantil,
mercado até então inexplorado. Preços mais elevados afugentaram os clientes. Depois de
ter mudado de mãos, a actual Cenoura está ainda a definir as políticas a seguir de
futuro.
O mercado infantil ainda tem muito espaço
para crescer no país, como provam a explosão de marcas como a Kid Cool, La Compagnie des
Petits ou Pré-Maman: As famílias portuguesas têm filhos cada vez mais tarde. Esta
tendência se é má para a demografia, tem o seu lado positivo: a paternidade surge
quando os pais dispõem de meios financeiros para criá-los.
As crianças precisam de um quarto
devidamente equipado e roupa à descrição. A fúria das compras para os mais miúdos
não tem limites. Embora não haja dados específicos sobre as lojas de confecção para
crianças, sabe-se que é um mercado em expansão. Basta entrar num centro comercial e
contar as marcas para o mais pequenos.
A Lanidor, número um do
sector, foi uma das empresas portuguesas que soube reestruturar-se a tempo. Nasceu com
sete lojas no comércio do fio de tricot em 1969. |

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Nos anos 80, com a extinção deste tipo de
negócio, redireccionou-a para o pronto a vestir feminino no sector das malhas.
A Boxer Shorts, marca nacional que mais
cresceu o ano passado, pode orgulhar-se de vender o dobro por metro quadrado que a
concorrência. Escolheu um nicho de negócio específico, o dos boxer shorts. O franchising
da marca começou por ser retroactivo: passaram-se lojas próprias a franqueados. Ciosos
de uma certa confidencialidade sobre as condições do negócio, os nortenhos previram um
formato especial para corners - montra de artigos que se pode instalar virtualmente
em qualquer lado.
Há apenas três anos, lojas como a Mango,
Tintoretto ou Cedosce eram totalmente desconhecidas no mercado. Hoje, as que estão melhor
situadas chegam a facturar mais de 30 mil contos nos primeiros meses do ano. O sucesso
não é fácil e a maior parte dos franqueados concordam que não há horários de
trabalho e muito menos empregos em part-time. Mas as vendas por metro quadrado são as
mais elevadas do sector.
Quando se contrata um franchising
neste sector é importante negociar logo no início pormenores como os tamanhos a
fornecer. Tal como os gostos, os tamanhos mais vendidos não são os mesmos de Espanha.
Quanto aos preços, corre-se o risco de importar uma marca para jovens, que acaba por
posicionar-se na faixa etárias dos 25 aos 35 anos. Como muitas marcas espanholas não
chegam a abrir lojas próprias no mercado nacional, é importante garantir uma linha de
comunicação com a sede, de outra forma é impossível participar ou conhecer a
evolução da marca. Estas situações implicam que os primeiros a abrir um franchising
serão os que terão de suportar as despesas de promoção e publicidade. Os franqueados
seguintes beneficiam das campanhas, mas também não sabem se terão exclusividade
territorial.
Quadro 2.1 As maiores marcas no
sector de pronto a vestir
As
Maiores do Sector |
Marca |
Pais de origem |
Inicio do franchising
em Portugal |
Lojas
franqueadas |
Total de lojas |
Lanidor |
Portugal |
1990 |
29 |
54 |
Kid Cool |
Bélgica |
1994 |
21 |
37 |
Stefanel |
Itália |
1987 |
28 |
35 |
Cenoura |
Portugal |
1984 |
22 |
33 |
Mango |
Espanha |
1992 |
28 |
28 |
| _____________________ Fonte: Censo IF 97 |
2.2 Produtos
para a casa
O sector dos produtos para a casa é dos
que tem mais ideias e conceitos portugueses. Em pouco tempo transformou-se num segmento de
mercado que oferece variedade e qualidade. A oferta cresceu, e ainda há espaço para
novos conceitos. A tendência aponta para a venda de volumes cada vez maiores, produtos
mais ousados em dimensão e originalidade. Para tal, serão necessárias algumas
adaptações das marcas existentes.
Na verdade, as
lojas que começaram por vender prendas estão a reconverter-se em conceitos de
decoração. A Loja das Viagens propõe um estilo exótico, a Michele K o design, a
Casa propõe as pechinchas, a Pano Branco a roupa de casa, a Cerne os móveis. |
 |
Os investimentos não são elevados,
exceptuando o preço do imobiliário associado a uma boa localização, e as royalties
são quase sempre cobradas na venda do material.
A necessidade de produtos úteis ou
decorativos não vem de uma súbita preocupação pelo interior e decoração do lar, mas
da possibilidade de ter casa própria que abriu as portas a uma jovem clientela emergente.
A Loja das Viagens é um exemplo de
prosperidade neste sector. A ideia foi resultado do gosto de viajar dos seus
proprietários. Quando em 1993 se deslocavam à Tailândia em lua de mel, ficaram
fascinados com o artesanato local e lamentaram não poder comprar aquelas peças em
Portugal. E surgiu a ideia de criar uma empresa importadora que depois as revendesse.
Pouco depois, as encomendas chegavam ao
destino e o casal Viegas abria a primeira loja, que rapidamente se revelou um sucesso
comercial.
A história é quase americana. Sobre uma
ideia original foi-se desenvolvendo uma fórmula própria para o ambiente da loja.
Com a evolução, de loja de prendas
transforma-se mais em loja de decoração. Introduziu mobiliário exótico e cerâmicas de
grande dimensão.
As peças vendidas na Loja das Viagens têm
um historial, contado pela vendedora ou afixado, o que implica um atendimento diferente.
Os clientes têm direito a um passaporte onde se inscrevem as compras.
Esta rede de franchising possui já
cerca de 30 lojas cuja facturação anual ultrapassa um milhão de contos. Um dos melhores
sintomas de sucesso da cadeia, é o facto de alguns franqueados estarem a abrir uma
segunda loja. O investimento é de 7.000 contos, com direito de entrada, móveis,
decoração e um stock inicial avaliado em 3.000 contos.
Quadro 2.2 As maiores marcas no
sector de produtos para a casa
As
Maiores do Sector |
Marca |
Pais de origem |
Inicio do franchising
em Portugal |
Lojas
franqueadas |
Total de lojas |
| Cerne |
Portugal |
1992 |
17 |
34 |
| Loja das Viagens |
Portugal |
1993 |
22 |
29 |
| Casa |
Bélgica |
1990 |
27 |
27 |
| Pano Branco |
Portugal |
1996 |
18 |
22 |
| Michele K |
Portugal |
1991 |
10 |
20 |
| _____________________ Fonte: Censo IF 97 |
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