
1.4 O Franchising em Portugal
1.4.1 Considerações gerais
Em poucos anos o franchising virou
moda em Portugal. De empresários encartados a simples amadores, são já muitos os que
acreditam que uma boa franquia é o negócio da sua vida. Se o franchising de
marcas internacionais, nomeadamente as mais conhecidas (que dão melhores garantias), é o
que desperta mais curiosidade, não é menos verdade que para outros a opção é criar
uma marca própria.
No primeiro caso, o negócio vem empacotado
e pronto a servir ( o risco é menor e a experiência de mercado proporcionalmente maior).
No segundo, evita-se o desconforto de um "sócio-tubarão": a submissão a um
sócio controlador e à inflexibilidade de procedimentos.
Com este cenário como pano de fundo,
muitos que querem ser patrões de si próprios importam o formato de negócio - o
franchising - mas reservam-se a autonomia de criar o seu próprio conceito.
Em Portugal, o franchising não
começou pelos sectores que no resto do mundo possuem mais cadeias, como o comércio. Os
primeiros casos de franquia ocorreram na indústria, tais como
"Coca-cola"
"Yoplait"
e nos serviços, como
"Manpower"
" Avis"
No comércio o fenómeno é mais recente. Como fruto
directo da modernização dos processos comerciais, o franchising de distribuição
é um fenómeno recente em Portugal, que só pode vingar depois do aparecimento de um
comércio de qualidade. No caso português é inegável a contribuição do Centro
Comercial das Amoreiras.

Durante muito tempo o franchising
foi, no nosso país, objecto de descrença por parte dos sectores mais conservadores do
comércio. No entanto, hoje, não existem dúvidas de que está a entrar numa fase de
amadurecimento e que constitui um instrumento importantíssimo para a modernização das
empresas no mercado nacional e internacional. De facto, um grande número de empresas
nacionais está a optar pelo franchising como veículo de expansão e todos os anos
são integrados novos sectores da economia, fazendo com que a estrutura empresarial do
sector comercial português, cada vez mais se caracterize por uma elevada heterogeneidade.
A partir da segunda metade da década de
80, houve um "boom" económico e um crescimento muito grande no
comércio. A oferta e o serviço de distribuição aumentaram significativamente e,
portanto, as pessoas procuravam no franchising uma forma de poderem ser
comerciantes e empresários, partindo muitas vezes de uma base zero. O franchising
era essa resposta, porque dizia como se devia actuar, disponibilizava a marca, a garantia,
a experiência, e acabou por participar de forma activa no desenvolvimento do comércio
nos últimos anos em Portugal.
A explosão das marcas nacionais foi um dos
fenómenos mais marcantes dos últimos dois anos.
O franchising conquistou
definitivamente os empresários nacionais, desde pequenas empresas, até grandes grupos.
1.4.2 O
surpreendente crescimento do Franchising
A seguir a um período de grande
"boom" do franchising como foi o ano de 1996, não era esperado que o
sector conseguisse manter o mesmo ritmo acelerado de crescimento. Registou-se, em 1997, a
entrada de mais 64 novos franqueadores a operar em território nacional. Portugal conta
neste ano com, aproximadamente, 236 marcas franqueadoras e um total de 2.634 unidades
operativas.
Apesar do crescimento das unidades ter sido
percentualmente menor do que em 1996 (28% contra 35% em 1996), em termos absolutos o
número as novas unidades criadas foi aproximadamente o mesmo, cerca de 550.
Se considerarmos que no primeiro ano de
actividade as empresas estão a estruturar-se, e que só a partir do segundo ano é que a
expansão das lojas começa a acelerar, prevê-se para 1998 e 1999 um grande
"boom" no número de unidades. São mais de 110 marcas que entraram em 1996 e
1997 e que a partir de agora se devem começar a expandir.
Quadro 1.6 Os principais
indicadores da evolução do franchising em Portugal
PRINCIPAIS
INDICADORES |
| N.º de marcas identificadas |
236 |
| Amostra de pesquisa |
206 |
| Novos franqueadores em 1997 |
64 |
| Total lojas/unidades do sector |
2634 |
| Novas unidades abertas em 1997 |
553 |
| Crescimento do n.º de marcas |
35% |
| Crescimento do n.º de lojas |
28% |
| ___________________________________________________________ Fonte: Franchising Directório de oportunidades 1998 |
Se analisarmos os dados
referentes ao primeiro semestre de 1998, verificamos que as previsões não são
especulativas, pelo contrário. Só nos primeiros 6 meses do corrente ano o aumento é de
cerca de 20% de novas marcas e de 18 % de unidades operativas.
Só neste período abriram cerca de 500
novas unidades franqueadas, o que permite calcular, com confiança, cerca de 2 mil novos
empregos.
A nível nacional, existem actualmente
cerca de 280 marcas franqueadoras e 3.100 unidades operativas. Comparativamente com o
número de unidades que iniciaram a sua actividade em 1997, só no 1º semestre deste ano,
o crescimento foi de 90%. Esta situação demonstra o amadurecimento do franchising,
já que a expansão das redes se acentua sobretudo a partir do segundo ou terceiro ano de
actividade, mostrando assim as empresas a sua agressividade.
1.4.3 O
principal sector do franchising: o Comércio
Após uma primeira análise sectorial
verificamos que o franchising está intimamente ligado ao comércio. Das marcas a
operar em Portugal, 62% estão no comércio, onde sem dúvida se destaca o subsector da
moda (pronto-a-vestir e acessórios) que representa quase um terço do total de empresas
franqueadoras.
Esta forte relação com o comércio é uma
característica típica do franchising na Europa, ao contrário, por exemplo, da
América onde o sistema se desenvolveu principalmente no sector dos serviços ou da
restauração.
Um facto curioso é que, apesar do
pronto-a-vestir ser o sector com o maior número de marcas a operar, portanto teoricamente
mais concorrente, foi onde se registou mais entradas de novas empresas. Das 64 marcas de franchising
que em 1997 entraram em Portugal, 19 são de pronto-a-vestir.
Apesar do comércio dominar as
estatísticas do franchising, foi no sector dos serviços que se observou a maior
taxa de crescimento. Tanto em termos de novas marcas, como em relação ao número de
unidades. O universo de empresas de serviços a operar em franchising passou de 29
para 46, um aumento de 55%. Esta tendência foi ainda superior no que diz respeito à
abertura de novas unidades onde, no sector dos serviços verificou-se um acréscimo de
48%.
O crescimento menos acelerado do sector da
restauração tem uma explicação em Portugal: o preço exorbitante dos imóveis.
Como é do conhecimento geral, a
restauração, em especial o fast-food, depende essencialmente de uma localização
privilegiada numa zona de grande fluxo de pessoas à porta. Lojas de rua com estas
características atingem preços fora da realidade em Portugal.
Esta situação limita o crescimento de
muitas redes aos projectos de novos Centro Comerciais. Não é por coincidência que
dentro do fast-food tradicional só marcas com uma grande estrutura e recursos como
a Mcdonald's, Pizza Hut, Telepizza, e Pans & Cia conseguiram expandir a sua rede.
Quadro 1.7 Como estão
distribuídos os sectores em Portugal

Mesmo assim, com excepção do Mcdonald's
com 12 lojas abertas, todas as outras apresentaram um modesto ritmo de abertura (em torno
de 4 novas lojas).
Como alternativa surge a alimentação
especializada (geladarias, padarias, doçarias...) que necessitam de espaços menores,
tornando o investimento mais viável. |